claustrofobia

Estamos numa Era em que somos obrigados a viver numa linha tênue entre o medo e o pânico. Medo de sair às ruas, pânico de ser assaltado, medo de ficar desempregado, pânico de não ter dinheiro, medo de estarmos infelizes, pânico de sermos infelizes. Muitas vezes, a sobrevivência é algo doloroso, mas numa visão um pouco menos pessimista, pode-se dizer que esta dor se faz necessária para o próprio ato de sobreviver. Quem não a sente, não aprende. Criar um mundo de sonhos onde apenas existe a felicidade e tornar-se alheio às verdades que nos são jogadas a cara o tempo inteiro, é atestar profundo e total despreparo para encarar o mundo de frente, e despreparo é sinônimo de sofrimento.

O medo nos traz cautela. O pânico justifica. Não precisamos sair de casa, ou mesmo da frente da tela de um computador, para entendermos os porquês que embasam as primeiras linhas deste texto. Abrindo mão de citar o óbvio, é possível dizer que a cruel realidade nos mostra que são poucos os motivos que nos trazem incentivos a continuar, mas é importante que se saiba: eles existem!

E continuar também traz dor, afinal, como já disse o poeta: “a estrada é longa”. Mas o que seria a vida se não houvesse os percalços, se não existissem obstáculos a vencer e objetivos a atingir? Caminhar sobre a tênue linha citada faz parte do simples fato de existir, e, numa ridícula contradição, é exatamente o que dá graça á vida.

Sim, é bom que sigamos vivendo entre o medo e o pânico.