É possível que a observação de si próprio como um sistema seja complicada devido a existência de energias tipicamente humanas dentre as quais podemos destacar: eu mereço, eu quero, eu preciso, não fico sem isto e "afinal, sou humano".

Razoável, então, que o sistema a ser examinado seja externo, próximo, de uso corrente e de custo zero, tendo sido escolhido o GUARDA-ROUPAS (GR).

Proponho um exercício de "percepção sistêmica do guarda-roupas".

Um guarda-roupas é adquirido com a finalidade de organizar nossos pertences.

A energia dinheiro para aquisição de um GR é limitada e seu emprego deve resultar no GR mais adequado, e isto envolve algum planejamento e escolha.

Adquirido o GR, e colocado dentro do quarto na posição mais adequada, haverá um grande esforço de internalização dos pertences segundo uma ordem desejada para que o GR nos "dê resposta certa" no menor tempo possível.

O uso diário do GR implica em que alguma desordem comece a aparecer e um esforço contínuo de ordem será exigido, tanto maior esforço (energia) quanto mais pessoas interagirem com o GR e quanto menos preocupação as pessoas tiverem com a ordem inicial.

De toda sorte, abreviando, ninguém se livra da tradicional "faxina geral anual" no GR.

Variáveis da externalidade como umidade e insetos poderão comprometer o "estoque" de pertences exigindo maior esforço de manutenção.

A integridade do GR sofre pressões da externalidade e da interação humana, além, é claro, da degradação natural das dobradiças, fechaduras, maçanetas e gavetas, com o uso corrente.

Quanto mais energia nova (cuidados na arrumação) for introduzida no GR e suas relações com o entorno será mais "sustentável", isto é, os pertences e o GR durarão mais e as pessoas ficarão mais satisfeitas por encontrarem rapidamente as coisas que procuram.

É possível calcular todas as energias que entram e saem do sistema numa unidade chamada JOULE, por exemplo: quantas calorias são gastas por um humano na interação com o GR, e isto pode ser respondido transformando calorias em joules.

Joules de madeira, joules de metal, joules de roupa e assim por diante, até chegar ao diagrama emergético, às equações diferenciais e aos índices de sustentabilidade, desempenho e renovabilidade.

Não se espantem se chegarem à conclusão de que um GR é um sistema necessário para compor uma ordem maior sustentável.

As pessoas usam guarda-roupas, mas podem estar sendo, nessa leitura, surpreendidas pela idéia que de o GR é um sistema que, no fluxo e refluxo entre a ordem e a desordem, funciona bem parecido com o Universo.

A dimensão do sócio-ambiental, como referência de relacionamento entre o ser humano e seu suporte de vida (meio ambiente), se não for encontrada em si mesmo, pode ser encontrada no guarda-roupas.

Do guarda-roupas para a casa, da casa para o quarteirão, do quarteirão para o bairro, do bairro para a cidade …

…. amazônia, continente, planeta, sistema solar, galáxia …

… Universo.

A mente humana é capaz de fazer esse percurso.

NÃO SE APRISIONE NO IMEDIATO, MAS NÃO O DESPREZE.