Paracatu nasceu na primeira metade do século XVIII, sob o signo do ouro. Não há data exata da descoberta e do povoamento da região de Paracatu. Mas admite-se que as terras paracatuenses já eram conhecidas desde o final do século XVI pelos homens brancos, Paracatu já devia ser habitada, mesmo como local de arranchamento dos que se serviam desse caminho que ligou o centro minerador de Goiás aos centros criadores do Noroeste da Capitania de Minas. “(Mello, Oliveira, As Minas Reveladas, pág. 61)

Bandeiras Sedentas de riquezas e com forte desejo de desbravamento, sabe-se que aqui chegaram as bandeiras lideradas por Domingos Luís Grou (1587), Antônio Macedo (1590), Domingos Fernandes (1599) e Nicolau Barreto (1602-1604).
Somente no testamento de Martin Rodrigues, membro da bandeira de Nicolau Barreto, encontra-se o primeiro registro que faz referência ao nome que, mais tarde, foi dado ao Município: “neste sertão e Rio de Paracatu”, em 12 de março de 1603. A palavra “Paracatu” quer dizer “rio bom”.

A maioria dos historiadores acreditam que foram os bandeirantes Felizberto Caldeira Brant e seus irmãos Joaquim, Conrado de Sebastião e José Rodrigues Fróis que revelaram oficialmente a descoberta das minas ao Governador Gomes Freire de Andrada, em 24 de junho de 1744.

AUTONOMIA – Em 20 de outubro de 1798, um alvará de D. Maria I criou a Vila de Paracatu do Príncipe. Consta no alvará: “… para que a sobredita vila novamente ereta se possa administrar a justiça, e promover o bem comum dela, como convém ao serviço de Deus, e meu: ordenando, como por este ordeno, que da publicação deste em diante se denomine Vila de Paracatu do Príncipe e que goze de todos os privilégios, liberdades, franquezas, honras, e isenções que gozam as outras vilas do mesmo Estado do Brasil, e os seus moradores sem diferença alguma, porque assim é minha vontade e mercê.” A primeira Câmara foi instalada em 18 de dezembro de 1799, Por lei provincial de 9 de março de 1840, a vila foi elevada à categoria de cidade.

Nessa época, a área recebeu grande número de pessoas atraídas pela possibilidade de enriquecer rapidamente com a extração do ouro, depositado nos rios.
Em 1910, o historiador Olympio Gonzaga relatava que o Município possuía uma área de 51.227 km², população de 60 mil habitantes e era composto, além do distrito-sede, pelos distritos de Guarda-Mor, Alegres, Cana Brava, Catinga, Água Fria, Rio Preto (hoje Unaí), Lajes, Buritis, Morrinhos e Formoso. Ao longo do tempo, esses distritos foram se emancipando.

Segundo Mello, “a primeira área ocupada pela cidade é detentora da típica ocupação do período colonial. …A origem urbana de Paracatu se deu no Sant´ Anna, no Arraial d´Angola e no Largo da Matriz, com a igreja de Santo Antônio”.

Até meados da década de 50, Paracatu conservava características semelhantes às do período colonial. A partir de então, essas características foram modificadas com a criação de Brasília, principalmente, pela localização no eixo de transporte da BR 040. A partir dos anos 30, já no século XV, a mutilação do acervo original da cidade começara a sofrer as primeiras ações. Nos anos 60 com a inauguração de Brasília próxima a Paracatu, principalmente pela localização no eixo de trasporte da BR 040, o vento da modernidade aspirava aos governantes locais que chegaram até a proibir a edificação de imóveis em adobe. De 80 para cá a descaracterização e a mutilação foi avassaladora.

A extinção abateu cerca de 70% do patrimôniouído da cidade. Perdas irreparáveis como: os três espaços cênicos de Paracatu, a singela Caza de Scenica, Casa da Ópera e “O Philodramático” um teatro baseado no Escola de Milão erigido em 1889 e destruído em 1952, a igreja de de N.Srª do Amparo, 1750-1939, igreja Matriz de Sant´Anna, 1734-1935, a igreja N.Srª da Abadia, 1812-1937, chafarizes, pontes em cantaria e madeira e a retirada do calçamento de pedras grã-roliças foi a depilação da cidade, bem como os casarões e sobrados que só na iconografia valiosa de Olympio Gonzaga pode-se testemunhar a existência. Muitos estudiosos cogitam que pela peculiaridade cultural de Paracatu, conferida pelo grande isolamento e entroncamento de passagem que serviu para os bandeirantes entre Minas e Goiás e a connstituição de seu acervo, se hoje existisse em sua boa parte, a cidade poderia sem dúvida nenhuma, pleitear o título de Patrimônio da Humanidade.

Fonte: Minas em Revista